CBPAT 2026 debate durabilidade, manutenção preventiva e desempenho das edificações

A ampliação da vida útil das estruturas, a redução das emissões de carbono e a consolidação de uma cultura de manutenção preventiva dominaram os debates do 7º Congresso Brasileiro de Patologia das Construções (CBPAT 2026), realizado entre os dias 24 e 27 de junho, em São Paulo. Organizado pela Associação Brasileira de Patologia das Construções (ALCONPAT Brasil), o evento reuniu pesquisadores, engenheiros, construtoras, projetistas, consultores, fabricantes e representantes de órgãos públicos para discutir soluções voltadas ao desempenho, à durabilidade e à recuperação das edificações brasileiras.

Reconhecido como um dos principais fóruns técnico-científicos do país dedicado ao estudo, prevenção, diagnóstico e recuperação das manifestações patológicas nas construções, o congresso abordou temas que deverão influenciar projetos, normas e práticas do setor nos próximos anos.

Segundo o presidente da ALCONPAT Brasil, Rafael Timerman, esta edição registrou crescimento de aproximadamente 10% no número de congressistas em relação ao evento anterior e ampliou significativamente o escopo técnico.

Além dos tradicionais debates sobre concreto e estruturas, o congresso passou a contemplar painéis dedicados à impermeabilização, esquadrias, infraestrutura e outros sistemas construtivos.

“Conseguimos atrair um público muito mais amplo, envolvendo profissionais de diversas especialidades da construção civil“, destaca.

Timerman também ressaltou a participação de entidades como IBRACON, SindusCon, Instituto de Engenharia e outras organizações nacionais e internacionais, fortalecendo a integração entre pesquisa, indústria e mercado.

CBPAT 2026 registrou crescimento de aproximadamente 10% no número de congressistas. Crédito: ALCONPAT

Na avaliação do professor Bernardo Tutikian, um dos palestrantes do evento, dois temas ganharam especial destaque ao longo do congresso: a necessidade de reduzir as emissões de CO₂ das estruturas de concreto e o aumento da durabilidade das construções.

“Esses dois temas acabam caminhando juntos. Quanto maior a vida útil da estrutura, menores são os custos de manutenção, menor a necessidade de demolição e reconstrução e, consequentemente, menores também as emissões de carbono”, afirma Tutikian.

Segundo ele, o setor tem investido em concretos mais duráveis, maiores cobrimentos, proteções superficiais e melhorias na execução das obras para prolongar a vida útil das edificações.

Nova norma muda cultura das garantias

Outro tema de destaque foi a NBR 17.170, conhecida como norma de garantias, que estabelece critérios para a responsabilidade de projetistas, construtoras e usuários durante o ciclo de vida das edificações.

De acordo com Tutikian, que abordou o tema em sua palestra, a principal mudança é que a garantia deixa de depender apenas da qualidade da construção e passa a considerar também a manutenção realizada pelo proprietário.

“Para oferecer garantia, é preciso demonstrar que o empreendimento foi corretamente projetado e executado. Ao mesmo tempo, o usuário também assume responsabilidades, como realizar as manutenções previstas e utilizar a edificação de forma adequada.”

Na prática, a lógica se aproxima do que já ocorre em automóveis e elevadores, cuja garantia depende do cumprimento das revisões periódicas.

Para as empresas, isso exige processos mais estruturados de documentação e comunicação.

“O maior erro é não orientar adequadamente o usuário sobre quais manutenções devem ser realizadas e em que momento. Se isso não for feito, a construtora pode assumir responsabilidades que poderiam ser evitadas”, explica.

Apesar do avanço, Tutikian observa que ainda existem desafios para a aplicação da norma, especialmente na interpretação jurídica em casos de litígios, já que o Código Civil e o Código de Defesa do Consumidor possuem força legal superior às normas técnicas.

Caso da ponte do Tocantins reforça importância das inspeções

Entre as palestras que despertaram maior interesse esteve a análise técnica sobre o colapso da ponte Juscelino Kubitschek entre Tocantins e Maranhão.

Segundo Rafael Timerman, responsável pela apresentação, o objetivo não foi apontar culpados, mas compreender tecnicamente os fatores que contribuiram para o acidente.

“As principais hipóteses envolvem falhas de concepção, problemas nos materiais e excesso de carga“, afirma.

Timerman destacou ainda que o Brasil já dispõe de tecnologias capazes de monitorar continuamente o comportamento das pontes por meio de sensores capazes de medir deslocamentos, vibrações e oscilações estruturais.

No entanto, ele ressalta que o principal desafio continua sendo a gestão dos ativos existentes.

“O mais importante é inspecionar todas as pontes conforme estabelece a NBR 9452. Precisamos conhecer o estado de conservação das estruturas para identificar quais necessitam de intervenções emergenciais”, destaca Timerman.

Sustentabilidade passa pela preservação das estruturas

Outro ponto defendido durante o congresso foi a necessidade de ampliar a cultura de inspeção e reabilitação das obras existentes.

Para Timerman, prolongar a vida útil das estruturas representa uma das estratégias mais eficientes para reduzir impactos ambientais. “Mais sustentável do que demolir e reconstruir é conservar, recuperar e manter as estruturas em funcionamento pelo maior tempo possível”, pontua.

Ele também destacou que o concreto brasileiro apresenta desempenho ambiental superior ao observado em diversos países e defendeu maior utilização de projetos estruturais desenvolvidos por profissionais qualificados para otimizar o consumo de materiais e reduzir desperdícios.

“Ficou evidente que temas como descarbonização, durabilidade, monitoramento estrutural, manutenção preventiva e gestão do ciclo de vida das edificações deverão ocupar espaço cada vez maior nas agendas da engenharia e da construção civil, consolidando uma mudança de paradigma que privilegia a prevenção em vez da correção de falhas”, conclui Timerman.

Fontes

Rafael Timerman é engenheiro civil, graduado em 2008 pela Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Sócio-Diretor da ENGETI CONSULTORIA E ENGENHARIA S/S Ltda., empresa de consultoria e projetos estruturais. Ele também é conselheiro do IBRACON – 2023-2027.

Bernardo Tutikian é engenheiro civil, mestre e doutor. Professor e pesquisador da Unisinos, no Rio Grande do Sul. Também é autor de mais de 450 artigos em periódicos e congressos, além de consultor de empresas na área de tecnologia do concreto, de argamassa, patologia e desempenho.

Jornalista responsável: 

Marina Pastore – DRT 48378/SP 

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 ​Fonte: Cimento Itambé

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