Por Severian Rocha
Março, 2026 – São muitas oportunidades tecnológicas disponíveis no mercado nacional para os profissionais de arquitetura, urbanismo e de designer desenvolverem seus projetos arquitetônicos. Hoje em dia apresentar um projeto para o seu cliente em 3D, Realidade Virtual ou em Realidade Aumentada, ou melhor usando o processo BIM (Building Information Modeling) ficou muito mais acessível, intuitivo, seguro e prazeroso. Algo impossível no passado.
De acordo com fala dos especialistas do assunto, nos tempos atuais o profissional que não se conectar com as novas tecnologias está fora do jogo.
Para entender esse processo tecnológico mundial, o Jornal da Construção Civil percorreu a Haus Decor 2026 -feira de origem alemã-, na cidade de São Paulo, que traz as principais soluções, produtos e tendências dos setores de arquitetura, design de interiores e construção.
Em destaque na feira, nós identificamos a Graphisoft, empresa líder global em soluções de software BIM para arquitetura, engenharia e construção, apresentou ao mercado brasileiro o MEP Designer, ferramenta integrada ao Archicad desenvolvida para apoiar o design, a coordenação e a documentação de sistemas mecânicos, elétricos e hidráulicos (MEP) de forma totalmente conectada ao modelo arquitetônico.
Diego Rabello de Vargas, diretor de vendas da Graphisoft nos concedeu uma entrevista e nos falou da origem da empresa, dos seus novos produtos e da importância do mercado brasileiro para a companhia.
Graphisoft e o Futuro da Arquitetura no Brasil
Jornal da Construção Civil : Fale um pouco da Grafisoft ?
Diego Rabello de Vargas: A Graphisoft é uma empresa de tecnologia húngara, nós somos os pioneiros e produtores dos softwares Archicad, MEP Designer, BIMcloud e BIMx. É o primeiro ano que estamos aqui na feira Haus Decor, e é muito legal estar perto do nosso público.
Jornal da Construção Civil: Como são utilizados os softwares da Graphisoft no dia a dia pelos arquitetos?
Diego Rabello de Vargas: A utilização do nosso software, da nossa tecnologia na arquitetura, é um caminho longo. Se pararmos para pensar, até a década de 90 os arquitetos faziam muito no papel, na mão. A partir da década de 90, surgiram softwares CAD. O nosso software já existia desde 1984 — foi o primeiro software BIM do mercado. Uma empresa húngara que já tem mais de 40 anos de estrada.
Então, desde que veio a primeira digitalização pelo CAD, surgiu o modelo BIM lá no final dos anos 2000. Nós fomos o primeiro software que já nasceu BIM. Quando você projeta seus modelos, eles já carregam a informação. Ao fazer uma parede, ela já traz quantitativos, quantidade de tijolos, massa, pintura, textura… tudo isso é importante.
Estar aqui em uma feira de revestimentos e no meio da arquitetura é fundamental. Com essas empresas, a gente consegue conversar e dizer: “Olha, você deveria colocar seu revestimento ou textura dentro do Archicad para facilitar o trabalho dos arquitetos”. Com a tecnologia, facilitamos o trabalho, a visualização do cliente e a interação.
Inteligência Artificial e Novas Fronteiras
Jornal da Construção Civil – Como vocês estão integrando a Inteligencia Artifical aos produtos tecnológicos de arquitetura ?
Diego Rabello de Vargas: Hoje já conseguimos utilizar o Apple Vision Pro e muitas ferramentas de Inteligência Artificial. O foco para frente está na IA, não só para facilitar a visualização do cliente final, mas também nas automações de trabalho do arquiteto. O projeto é só a ponta do iceberg; por trás tem documentação e prefeitura, e a IA vai ajudar muito nesses processos.
O Mercado Brasileiro e a Herança de Niemeyer
Jornal da Construção Civil : E como vocês enxergam o potencial do Brasil nesse mercado de arquitetura?
Diego Rabello de Vargas: O Brasil é muito conhecido mundialmente pela arquitetura. Desde Oscar Niemeyer, lá em 1960 com Brasília… quando viajo para a nossa matriz na Europa e pergunto por que escolheram o Brasil para ser uma subsidiária, eles sempre dizem: “O Brasil é famoso, queremos estar próximos dessa arquitetura grandiosa que vocês fazem”.
Nosso slogan é “Empoderar o arquiteto para fazer um projeto melhor”. O Brasil está muito evoluído nisso.
O Diferencial: De Arquiteto para Arquiteto
Jornal da Construção Civil: Qual o diferencial das soluções da Graphisoft, no dia a dia?
Diego Rabello de Vargas: O nosso diferencial é que somos focados no arquiteto. Nosso outro slogan era “De arquiteto para arquiteto”. Dentro da Graphisoft, os desenvolvedores são arquitetos. Pensamos como o arquiteto pensa. É um software muito mais maleável, intuitivo e com uma curva de aprendizado mais fácil do que softwares focados apenas em engenharia ou construção pesada. O arquiteto precisa estar livre para criar e alterar ao longo do projeto.
Educação e o Programa de Embaixadores
Jornal da Construção Civil: No Brasil se fala muito sobre falta de mão de obra qualificada. A empresa possui algum programa de formação profissionais?
Diego Rabello de Vargas: O Brasil tem mais de 270 mil arquitetos registrados no CAU e cerca de 220 mil em atividade. É um dos países com mais arquitetos ativos no mundo. Nosso foco é criar dentro das universidades um canal de desenvolvimento.
Temos o programa de Embaixadores na Universidade: pegamos dois estudantes por universidade, eles aprendem o Archicad e divulgam internamente, podendo até dar aulas. Os estudantes hoje estão muito interessados em tecnologia; eles querem o que há de melhor para o futuro trabalho deles.
Fonte: Jornal da Construção Civil










