Seminário debate fachadas industrializadas

Empresas de engenharia e arquitetura na Região dos Lagos

Evento mostrou os ganhos de produtividade

Inovações e soluções em projetos, execução e instalação foram apresentadas e discutidas no 2º Seminário de Fachadas Industrializadas do SindusCon-SP, realizado em 15 de outubro, no Centro de Convenções do São Paulo Expo.

Ao abrir o encontro, Yorki Estefan, presidente do SindusCon-SP, destacou que seminário “é muito importante para a industrialização da construção que tanto almejamos com desempenho, responsabilidade e garantias”, e agradeceu aos patrocinadores, aos palestrantes e a Roberto Pastor Jr., Luis Fernando Ciniello Bueno e Paulo Aridan Mangione, do CTQ (Comitê de Tecnologia e Qualidade), “pela organização deste excelente evento”.

Case Parque Global

As fachadas pré-moldadas no empreendimento Parque Global, em São Paulo, foram apresentadas por Luciano do Amaral, engenheiro civil, diretor de Engenharia da Benx e membro do CTQ, e Rodrigo Sambaquy, arquiteto e urbanista na RAF Arquitetura.

Amaral observou que a opção pelas fachadas industrializadas se pautou por qualidade, precisão das peças e na instalação, prazos menores, menos mão de obra, logística mais enxuta, mais segurança do trabalho com a eliminação de balancins e redução de resíduos, o que acaba compensando o custo. Nas torres residenciais, o preço por metro quadro das fachadas mais leves em concreto pré-armado levaria a uma redução de 57%, e uma redução da espessura em 73%. Foram adotados painéis em GRC (Glassfibre Reinforced Concrete – Concreto Reforçado com Fibra de Vidro) nos pilares e alumínio entre vãos, uso de grua a partir das 17h para subida das peças, e caixilhos internos à obra. Obteve-se uma expressiva redução de prazos de instalação, e ainda se utilizou parcialmente emboço. Na construção do hotel, atualmente em execução, combinou-se GRC e pele de vidro, e em 4 dias um pavimento fica pronto, com menos trabalhadores, economia de custos e zero acidentes.

Amaral ainda apresentou exemplos de fachadas totalmente industrializadas. E destacou a importância, de se definir-se o modelo em projeto, levar em conta a economia de custos compensando os preços, ter um fornecedor parceiro, utilizar grua, mudança na forma de instalação e cuidado nas juntas das placas.

Rodrigo Sambaquy abordou detalhes do projeto de arquitetura dos edifícios do Parque Global. Segundo ele, o GRC trouxe a garantia da precisão e do controle de qualidade e representou uma mudança de paradigma, com a fabricação off-site, a economia na logística e uma montagem simples e rápida. Reduziu-se o volume de concreto, padronizaram-se os inserts.

Moderando o painel, Paulo Aridan Soares Mingione, coordenador do Grupo de Trabalho de Gestão e Produtividade do CTQ, salientou a importância de uma boa parceria com o fornecedor, o fato de o projeto continuar na execução da obra e que a padronização não engessa a criatividade dos projetos.

Fachadas leves

Alexandre Hiroaki Takara, coordenador Comercial de Projetos e Sistemas na Saint-Gobain Nextera e responsável pelo desenvolvimento técnico e interfaces em projetos de fachadas leves, mostrou como essas fachadas fazem a diferença na obra: redução expressiva de custos, maior eficiência energética, diminuição de emissões de carbono. Ele comentou que os custos compensam, inclusive em empreendimentos do programa Minha Casa, Minha Vida. E observou que a redução de mão de obra também embute a diminuição de processos trabalhistas.

Takara mostrou o Sistema Glasroc X, constituído de chapas de gesso com reforço de fibra de vidro. Mostrou a aplicação da solução do novo edifício anexo do Masp, em São Paulo, garantindo produtividade, flexibilidade e facilidade nas instalações. O sistema pode ter aplicações externas com resistência a intempéries, e em ambientes internos das edificações. A Saint-Gobain dá apoio desde a fase de projeto até a instalação.

A engenheira Maria Angelica Covelo Silva chamou a atenção para cuidados de desempenho a serem tomados, além da resistência ao fogo.

Case do Empreendimento Atelier Opus

As fachadas do empreendimento Atelier Opus foram apresentadas por Josué Arndt, diretor técnico da Knauf do Brasil e diretor do Núcleo Drywall da ABCLS, e Jones Chiarello, diretor técnico da Plack Sistemas Construtivos.

Josué Arndt e Jonas Chiarello mostraram o case do empreendimento situado em Goiânia, composto por 14 lojas comerciais e 136 salas comerciais. Foi adotada uma chapa cimentícia com agregados leves, estruturada com malha de fibra de vidro reforçada. Na parte interna, paredes e forros em drywall, atendendo a Norma de Desempenho. Houve redução de prazo e expressivas economias, além de ganhos em sustentabilidade, compensando custos iniciais mais elevados.

Fixação em Tilt-Up

Fachadas Industrializadas e Fixação em Tilt-Up: Inovação, Eficiência e Sustentabilidade foi o tema da apresentação de Fabiano Sena do Nascimento e Danielly Gonzalez Orlandin, especialistas em Soluções Técnicas da Saint-Gobain, e do engenheiro Riberto Caminati Junior, diretor da Luxor Construções.

A fixação em Tilt-Up é uma solução de colagem para formas de madeira, explicou Danielly. Mostrou também a solução da empresa de vedação externa em LSF (Light Steel Frame) e Sistema Glasroc X, com resistência ao fogo em galpões industriais e menor carbono incorporado.

Riberto Caminati apresentou o case da aplicação de steel framing para obra da Intelli, no sistema de painelização, com qualidade, prazo menor e custos interessantes. Os perfis são trazidos de fora e cortados na obra, com o fechamento externo em Glasroc X.

Case BVLD Alti

O case das fachadas industrializadas no empreendimento BVLD Alti foi apresentado por Pedro Henrique Incer, diretor de Engenharia da Arqos Incorporadora; Grazielli Gomes Rocha, arquiteta e urbanista, diretora da Aflalo/Gasperini Arquitetos, e Cassio Ferro, engenheiro civil, head de Empreendimentos Residenciais da Rocontec.

Pedro Incer mostrou o empreendimento em execução em Alphaville, com 225 unidades residenciais em 6 torres. Destacou a modelagem em BIM de todas as disciplinas e a importância de se ter engenharia na incorporação. Cerca de 50% do custo da obra é produzido fora da obra, o que requer um desembolso inicial maior do que em uma obra convencional, alertou.

Casio Ferro falou dos benefícios: ganho em escala, previsibilidade de custos, integração de sistemas, redução do histograma, eficiência logística, otimização do prazo, redução do desperdício, isolamento térmico e acústico, e sustentabilidade. A fachada em LSF tem placa cimentícia. Houve economia em 55% no efetivo de funcionários, e redução de 25% no prazo.  Destacou a importância de se preservar o conceito arquitetônico original, e de uma sólida parceria com projetistas, fornecedores e incorporadora.

Grazielli Rocha mostrou projetos que a Aflalo Gasperini desenvolveu, como o retrofit que resultou na escola do Senac no bairro de Santo Amaro com pré-moldado, a revitalização do Carandiru que resultou em Escolas Técnicas, o edifício do Colégio Bandeirantes em pré-moldados de concreto com brises, e um edifício no bairro de Pinheiros. Considerou o projeto desenvolvido para o empreendimento BVLD Alti um aprendizado, sempre se aperfeiçoando algo.

Moderando os debates, Luis Fernando Ciniello Bueno, diretor adjunto de Tecnologia e Qualidade e membro do CTQ, destacou a importância de um trabalho conjunto desde o início, entre projetistas, construtoras e incorporadoras. Falou da versatilidade dos sistemas e de como podem ser integrados.

 ​Fonte: Sinduscon-SP

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